Comida de São João
A festividade de São João é uma herança portuguesa. Em Portugal o santo é tradicionalmente comemorado com muita alegria, fogos, fogueira, música e dança. Lá, no entanto, não existe uma comida típica para o festejo, diferentemente do que ocorre no Brasil, onde o milho é a principal iguaria e sem ele não há festa.
Trazida para o Brasil desde o início da colonização, a festa religiosa ganhou simpatia dos indígenas, talvez pelas fogueiras, nas quais se podia assar o milho.
O milho já era consumido bem antes da chegada dos colonizadores – que aqui o encontraram cultivado pelos tupis –, mas nunca foi considerado alimento básico para os nativos, como era a mandioca. Era apenas comida de passatempo, comiam-no assado na brasa e, com ele, também produziam o abati, bebida resultante dos caroços cozidos, mastigados por mulheres, fervidos e fermentados.
O cereal não era essencial para o indígena e tampouco foi do agrado do português, seu cultivo foi por muito tempo destinado à alimentação dos animais e dos escravos.
E foram esses negros escravizados que inventaram novas formas de preparação do milho, ao misturá-lo, usando suas práticas culinárias, com outros ingredientes a que tinham acesso à época, como o açúcar mascavo, leite de coco e a mandioca. Daí, surgiram angu, canjica, pamonha, bolos e pães.
Com o tempo, as preparações à base de milho foram conquistando o paladar do colonizador português e novas técnicas de plantio foram desenvolvidas. O cereal passou a ser semeado no dia de São José, 19 de março, data na qual quase sempre há chuva. Plantado nesse período, está a ponto se ser colhido às vésperas do São João.
Assim, a combinação do alimento nativo, com técnicas da cozinha africana e crenças portuguesas deu origem à tradição das saborosas comidas juninas.




